Busca semântica e termos
Busca por significado em vez de palavra exata, rede de similaridade entre artigos e análise de como um termo é usado — e como o seu sentido muda — ao longo do corpus. Tudo roda sobre embeddings calculados na sua máquina, sem enviar nada para fora.
A base de tudo: o modelo de embeddings
Um modelo de embeddings não gera texto: ele converte títulos e resumos em vetores numéricos, de modo que textos com significado próximo ficam próximos no espaço vetorial (medido pela distância de cosseno). É diferente do modelo de chat, que escreve, rotula e classifica. Por isso o SciForesight os configura separadamente — e trocar o modelo de chat não obriga a recalcular os vetores do projeto.
Em Configurações (Settings) a fonte de embeddings vale para todos os projetos e telas semânticas, e pode ser:
| Fonte | Como funciona | Serve para |
|---|---|---|
| Provedor remoto | Google (Gemini), OpenAI ou Voyage AI, com a chave do provedor guardada no cofre de credenciais do Windows. Os textos vão à API do provedor. | Categorização por IA |
| Transformer local | Um modelo de sentenças (referência: all-MiniLM-L6-v2, 384 dimensões, cerca de 91 MB) executado no próprio aplicativo, em CPU ou GPU. Baixado uma única vez, com verificação de integridade, e depois 100% offline, sem custo por chamada. | Categorização, busca semântica, rede de similaridade e análise de termos |
Onde fica no aplicativo
As duas ferramentas ficam em Serviços de IA → Síntese (AI Services → Synthesis) , em duas abas: Busca semântica e Análise contextual de termos & polissemia. O estado de cada aba é preservado ao alternar entre elas. Essa tela exige o módulo Serviços de IA liberado na licença e não deve ser confundida com a tela de mesmo nome da Bibliometria, que cruza dimensões da taxonomia e é descrita em Síntese entre dimensões.
Busca semântica de publicações
- Criar o índice. Use Criar índice (Build index) para calcular um vetor por publicação refinada a partir do título e do resumo. O contador mostra quantas publicações já estão indexadas. Uma nova indexação reaproveita as publicações que não mudaram, então adicionar dados custa só o que é novo.
- Consultar em linguagem natural. Descreva um tema, uma hipótese, um método ou uma pergunta. Como a comparação é por significado, o documento não precisa conter as palavras da consulta. Opcionalmente restrinja o intervalo de anos.
- Ler os resultados. As publicações vêm ordenadas pela similaridade de cosseno (de 0 a 1), com título ligado ao DOI, autores, ano, periódico, palavras-chave e afiliações. O resumo completo abre em um acordeão, e há botões para expandir ou recolher todos e para exportar a lista em CSV com todos os metadados.
Rede de similaridade entre artigos
Com o corpus indexado, a Análise de Redes ganha uma nova relação: Similaridade Semântica (Artigos) (Semantic Similarity (Papers)). Cada nó é um artigo e cada aresta liga textos semanticamente próximos, com peso igual à similaridade de cosseno. A rede é esparsificada por controles que você ajusta:
- Limiar de similaridade (de 0 a 1) — descarta arestas abaixo do valor.
- Vizinhos k-NN (de 1 a 50) — mantém, para cada artigo, só os k vizinhos mais próximos.
- k-NN mútuo — só conserva a aresta quando cada artigo está entre os vizinhos do outro, o que enxuga o mapa.
- Incluir nós isolados — artigos sem nenhuma aresta aparecem no grupo “Não conectados”, ou são omitidos para destacar o componente conectado.
Os grupos são detectados por clusterização espectral, e as arestas trazem a contagem de referências citadas em comum — o que permite comparar a proximidade semântica com a proximidade por citação, como no acoplamento bibliográfico. Se o corpus ainda não estiver indexado, a tela avisa e leva à Busca semântica. Os parâmetros usados vão como primeira tabela dos arquivos exportados.
Análise contextual de termos e polissemia
Uma mesma palavra pode significar coisas diferentes no corpus — “transformer”, “network”, “cell”, “model”. A análise localiza cada ocorrência do termo nos títulos e resumos, calcula a representação do termo no contexto de cada frase e agrupa as ocorrências com contexto parecido: cada grupo é um sentido.
Parâmetros
| Campo | O que faz |
|---|---|
| Termo ou frase científica | Termo, sigla ou expressão. Uma pré-visualização conta as ocorrências no corpus enquanto você digita. |
| Sentidos (K) | Automático (recomendado): o número de sentidos é escolhido pela melhor separação (silhouette). Um K manual nunca passa de um sentido a cada três ocorrências; acima disso, é reduzido. |
| Máx. ocorrências | Qualquer valor de 1 a 5.000. Acima do limite, a análise usa uma amostra estratificada por ano. |
| Ano inicial e final | Restringe a análise às publicações do intervalo. |
| Rotular sentidos com IA | Opcional. Usa o modelo de chat ativo para dar a cada sentido um nome descritivo, a partir das palavras-chave e dos trechos. Consome tokens do provedor e envia esses trechos a ele; sem a opção, os sentidos são nomeados por suas palavras-chave, tudo local. |
O diagnóstico de confiabilidade
Agrupar sempre produz grupos — mesmo em um termo que só tem um sentido. Por isso a análise julga a si mesma antes de mostrar qualquer coisa, e o cartão de diagnóstico traz um veredito com o que fazer a respeito:
| Veredito | Como ler |
|---|---|
| Termo polissêmico | Sentidos bem separados: as ocorrências formam grupos de contexto distintos. Compare os sentidos e confira os trechos. |
| Polissemia moderada | Há usos distintos, com alguma sobreposição. Confira os trechos antes de concluir. |
| Separação fraca | Os grupos se sobrepõem e podem ser artificiais. Prefira o K automático ou amplie o corpus. |
| Uso predominante único | Nenhuma divisão separa bem as ocorrências: o termo tem essencialmente um sentido neste corpus. |
| Dados insuficientes | Poucas ocorrências para separar sentidos com segurança; o resultado é só exploratório. |
O indicador de separação dos sentidos é o coeficiente de silhouette, de −1 a 1: abaixo de 0,10 os grupos se sobrepõem; acima de 0,25 os sentidos são bem distintos. Avisos acionáveis — poucas ocorrências, K reduzido, amostra estratificada, um único ano — aparecem com botões de correção, como usar o K automático, remover o filtro de anos ou analisar mais ocorrências.
O que a tela mostra
- Cartões de sentido — nome, proporção das ocorrências, palavras-chave diferenciais e o trecho mais representativo de cada sentido. Quando o termo é uma sigla, a análise sugere a possível expansão encontrada nos textos.
- Mapa semântico — cada ponto é uma ocorrência, com cor e forma por sentido; pontos próximos têm contexto parecido (projeção PCA dos embeddings). Clicar em um sentido filtra as ocorrências.
- Evolução dos sentidos — ocorrências de cada sentido por ano, em barras empilhadas ou agrupadas.
- Deriva conceitual — a distância de cosseno entre o contexto médio do termo em cada ano e no ano-base: valores maiores indicam que o termo passou a ser usado em contextos diferentes. Exige ao menos dois anos de dados.
- Ocorrências — os trechos do corpus com o termo destacado, filtráveis por sentido, ordenáveis, paginados, com link para o DOI, resumo completo sob demanda e exportação em CSV.
Os três gráficos têm a barra de ferramentas padrão do aplicativo: Figura completa (pré-visualização em alta definição), Ocultar controles, Projeto (cores), Idioma dos rótulos e Exportar (PNG, SVG e PDF, além dos dados em CSV e Markdown). A legenda vai embutida na figura exportada.
Próximos passos
- Serviços de IA (LLM) — taxonomias, classificação e o controle de custos.
- Mapas e visualizações — como ler e exportar redes, incluindo a de similaridade.
- Relatórios e exportação — o que registrar para que a análise seja reproduzível.
Execute análises bibliométricas, grafos bimodais e inteligência artificial no Windows com controle, governança e soberania de dados.